Hoje faço 30 anos de idade. Apesar de achar anteriormente que não gostaria de comemorar esta data, cheguei a conclusão que devo sim, comemorar. Comemorar a vida, a saúde, a família e aos amigos.
Obrigada Deus por tudo que me dá, afinal, tenho muito mais do que mereço, rs... Obrigada aos seguidores e visitantes do Vovó, que sempre dedicam um tempinho para passar por aqui e lembrar dessa trintona (é, agora é assim que serei chamada, kkk...).
Todo aniversário, me pego pensando em como gostaria que as coisas fossem diferentes ou em coisas que me arrependo na vida. Isso me faz lembrar da última coluna da Lya Luft, onde fala exatamente sobre erratas na vida.
Fala sobre quando erramos algo que escrevemos, podemos fazer uma errata e está tudo resolvido. Mas na vida não. E ela narra como seria bom poder fazer erratas na vida. Adorei o texto e achei interessante dividir umas partes com vocês:
"... fiquei pensando em algo que escrevi meses (ou anos?) atrás: não poder fazer erratas na vida. Por exemplo, fazer uma errata para os momentos em que fui impaciente e boba, em que deixei de escutar o outro, em que atropelei suas palavras ou sentimentos, porque estava cansada, ou sem tempo, ou simplesmente sem educação, sem carinho (...)
Seria bom fazer uma errata para as vezes em que fui uma aluna impossível, sempre inquieta, ou distraída, ou rindo de bobagens quando era para ficar séria, com horror a autoridade e limites, o que muitas vezes me valeu belos castigos (...).
Uma errata necessária seria para todas as vezes em que senti culpa por não estar fazendo nada, no meio da tarde, exausta, sentando ou deitando no sofá de pernas para cima, vendo televisão, ou lendo um livro, ou apenas olhando pela janela, nisso que Freud chamava "atenção flutuante", que em certas pessoas, como em mim, são horas de grande e silenciosa produtividade.
Errata para as vezes em que eu podia ter viajado mas não fui, por covardia; em que devia ter falado e não falei, por preguiça; em que devia ter me calado e falei, por ser estabanada e tender a falar antes de refletir.
Uma errata para as muitas decisões atrapalhadas, tantas indecisões desnecessárias, tantas lágrimas por tolices e tanta mágoa por infantilidade. Errata para os erros e também para o que não foi erro, mas desatenção, inabilidade, incompetência mesmo.
(...) apesar das pequenas má-criações idiotas, dos telefonemas não dados, do sorriso amarelo, do frequente boicotar-se no que temos de melhor; apesar das mentirinhas, das ironias, das maledicências (mesmo inocentes, mas nenhuma é inocente de verdade), das negligências, da preguiça, das queixas e das falhas inevitáveis - temos de tocar em frente.
Mas bem que se poderia ter a permissão, a possibilidade, o enorme conforto de escrever, ou fazer, para todas as imperfeições cometidas, uma bela errata, porque afinal a gente é apenas uma pessoa, e o velho provérbio chatinho diz que podemos ser anistiados; afinal errar é coisa desse ex-quadrúpede que se meteu em andar ereto, e ainda por cima a pensar, e virou humano".